“(...)
Ela respondeu que não tinha nada físico. Então ele disse:
- Lóri, disse Ulisses, e de repente pareceu grave embora falasse tranqüilo, Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.
(...)”
LISPECTOR, Clarisse. Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A., 1994, p. 33.
"Apesar de, se deve amar."
Eu gosto da entrega. Fico, não sei se deveria, contente com minha capacidade de, ainda que sem retorno.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
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Um comentário:
ahhh fofinho. gostei. =)
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